OripeMachado

Tudo posso naquele que me guia

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Mitologia Brasileira II
                                    “Oripê enfrente Boitatá”

  Amanhecia o dia, Oripê, havia colocado alguns covos, (armadilhas) para pegar alguns peixes. Próximo dalí, nas profundezas de sua caverna, Boitatá, (a cobra de fogo) sentiu o cheiro de homem e de peixe. Era o homem invadindo seus domínios, Oripê, já saía da água, com um cesto cheio de peixes, quando foi sugado para o fundo. A velocidade foi tanta, que sua única defesa, sua faca, caiu da cinta larga, que usava. Quase sem ar, viu a cobra de fogo, com a bocarra, aberta pronta para abocanhá-lo. Boiando com ele em direção à cobra, uma lasca, de bambu, que ele agarrou e enfiou sem dó em um dos olhos de fogo. O urro estremeceu a terra, a fera foi se debatendo para o fundo tentando tirar, a vara de bambu do olho. Oripê foi arremessado, em uma das inúmeras cavernas, do deus do mal. Acordou, com a voz suave de uma jovem índia, o chamando, o guerreiro está sonolento, reaja, você precisa sair daqui rápido. Quando Boitatá voltar, talvez nem eu consiga salvá-lo. Ela foi à frente, por labirintos até que saí em uma clareira. Estava muito machucado, então ela me falou, deite em meu colo guerreiro como você fazia. Eu acalentarei seu sono enquanto curo suas feridas. Ela transmitia um amor que ele nunca sentiu com nenhuma mulher na terra. Dormiu como um bebê e todas as cantigas que ela cantou ele já conhecia, só não sabia de onde. Acordou totalmente recuperado, não tinha nem uma cicatriz, onde havia enormes cortes. Pensou, foi tudo um sonho, mas foi tão real, e que delicia, me senti um neném no colo da mãe. Caminhou pela floresta em completa paz. Ao longe ficou a bela índia, seu olhar estava úmido, parecia emocionada, dava a impressão que ia chorar. Oripê havia feito duas lanças enormes, que só ele conseguia arremessar. Estava em uma pequena enseada e arremessava de encontro a uma palmeira. A lança penetrava profundamente, dava trabalho para retirar. De repente, apareceu ao seu lado, um índio, muito maior que ele e falou, também sei fazer isto. Ele sorriu sempre gostou de competir. O índio tinha estatura maior que a dele, braços mais grossos, pernas também. Eu não te conheço, sou mais forte de toda minha tribo. E eu sou mais forte da minha. Quando Oripê arremessou sua lança, colocou toda sua força. Dificilmente outro índio conseguiria superá-lo. Com uma tranqüilidade de quem sabe o que faz seu competidor, arremessou a lança, e parece que nem se esforçou, mas ela saiu igual a um raio, e atravessou a palmeira dividindo-a em duas. Você pode até ser mais forte que Oripê, mas não ignorante, pegou suas lanças colocou às costas e saiu dali. Deveria estar com raiva e ciúmes, se olhasse para trás, veria, vários índios tão fortes como aquele, dando risada. Tupã, falou:- meu filho precisa ter humildade, realmente ele é o mais forte dos Tupis, e gargalhou, seu riso entrou pela floresta. Se alguma coisa dói mais que um corte de faca é o orgulho ferido. Toda vez que disputava com alguém Oripê humilhava, agora sentia na boca como é amargo saber que sempre tem um melhor.  
Oripê Machado.
Veneno de Cobra.
Oripê Machado
Enviado por Oripê Machado em 20/08/2014


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